Plano mensal de barbearia: quanto cobrar, com a conta passo a passo
Preço de plano mensal definido no chute costuma dar errado de dois jeitos. Ou fica barato e lota a cadeira com cliente que paga pouco, ou fica caro e ninguém assina. Este guia mostra um método de conta, em seis passos, para chegar ao preço a partir dos seus números. Todos os valores abaixo são exemplos hipotéticos. Troque pelos da sua barbearia.
Passo 1: descubra quanto custa um corte
O custo que interessa aqui é o variável, aquele que só existe quando o corte acontece. Aluguel e luz você paga com a cadeira vazia ou cheia, então ficam fora desta primeira conta.
Exemplo: suponha um corte avulso a R$ 50, com comissão de 40% para o barbeiro.
- Comissão: R$ 20
- Material, como lâmina, gola, produto e toalha: R$ 3
- Custo variável por corte: R$ 23
Cada corte avulso deixa R$ 27 para pagar as contas fixas e gerar lucro. Esse valor é a margem de contribuição do corte. Guarde os dois números, R$ 23 e R$ 27, porque todo o resto sai deles.
Passo 2: estime a frequência do assinante
Quem assina corta mais do que cortava como avulso. Já pagou, então vem. Se você calcular o plano pela frequência antiga, vai errar para baixo.
Levante a frequência atual dos seus clientes frequentes no histórico de vendas. Depois aplique um acréscimo. Exemplo de hipótese de trabalho:
- Cliente frequente como avulso: 1,5 corte por mês
- Mesmo cliente no plano de dois cortes: 1,8 corte por mês
- Mesmo cliente no plano ilimitado: 2,6 cortes por mês
Esses números são suposições para o exemplo. Os seus só aparecem depois de dois meses de plano rodando, e por isso o passo 6 existe.
Passo 3: calcule o piso do preço
O piso é o valor abaixo do qual o plano dá prejuízo em cada assinante. A conta é a frequência esperada vezes o custo variável, mais a taxa de cobrança.
Exemplo para o plano ilimitado, supondo taxa de 3% sobre a mensalidade:
- Custo de atendimento: 2,6 cortes x R$ 23 = R$ 59,80
- Para sobrar R$ 59,80 depois da taxa, a mensalidade precisa ser de pelo menos R$ 61,65
Abaixo de R$ 61,65, cada assinante custa mais do que paga. Mas o piso não é o preço. É só o limite que você não pode cruzar.
Passo 4: compare com o que o cliente já deixava
O plano precisa render mais do que o mesmo cliente rendia como avulso. Caso contrário, você trocou receita por trabalho.
No exemplo, o cliente avulso deixava 1,5 x R$ 27 = R$ 40,50 de margem por mês. Teste um preço de R$ 110 para o ilimitado:
- Mensalidade menos taxa de 3%: R$ 106,70
- Custo de atendimento: R$ 59,80
- Margem por assinante: R$ 46,90
R$ 46,90 é maior que R$ 40,50, então o preço passa. Agora calcule os dois limites de uso:
- Até 2,9 cortes por mês, o assinante rende mais do que rendia como avulso.
- Com 4,6 cortes por mês, a margem do assinante chega a zero.
Esses dois números viram regra de acompanhamento. Assinante acima de 2,9 cortes merece atenção. Média geral perto de 4 pede ajuste de preço ou de regra.
Passo 5: decida como a comissão entra na conta
A comissão é o maior custo do plano, e a forma de calcular muda o resultado. Existem três modelos.
- Sobre o preço de tabela do serviço executado: o barbeiro recebe os mesmos R$ 20 por corte, com ou sem plano. É o modelo usado nas contas acima. O custo acompanha o uso, e a equipe não tem motivo para evitar assinante.
- Rateio da mensalidade: uma parte do valor pago é dividida entre os barbeiros conforme os atendimentos. Seu custo fica travado, mas a comissão por corte cai quando o assinante usa muito, e o barbeiro percebe.
- Valor fixo por atendimento de assinante: simples de explicar. Exige revisão sempre que o preço de tabela muda.
Escolha um e escreva a regra antes de vender o primeiro plano. O barbeiro precisa conseguir conferir a própria comissão sem perguntar para ninguém.
No Fexxo, a comissão é definida por serviço e por profissional, em percentual ou valor fixo, e fica gravada quando a venda é concluída. Um item lançado como cortesia pode manter a comissão calculada sobre o preço de tabela.
Passo 6: monte os níveis de plano
Dois ou três níveis bastam. Cada um precisa passar pelas contas dos passos 3 e 4. Exemplo com os mesmos números, mais uma barba avulsa a R$ 35 com custo variável de R$ 16:
- Plano dois cortes a R$ 90: recebe R$ 87,30 depois da taxa. Com uso total, o custo é R$ 46 e a margem é R$ 41,30.
- Plano ilimitado a R$ 110: margem de R$ 46,90 com 2,6 cortes por mês.
- Plano dois cortes e duas barbas a R$ 150: recebe R$ 145,50. Com uso total, o custo é R$ 78 e a margem é R$ 67,50.
Repare que o plano com limite tem o pior cenário conhecido. Você sabe o custo máximo antes de vender. No ilimitado, o custo máximo depende das regras de uso.
A diferença de preço entre os níveis também conta. Se o ilimitado custa só R$ 20 a mais que o de dois cortes, quase todo mundo escolhe o ilimitado. Se for isso que você quer, ótimo. Se não for, aumente a distância.
O que limitar para o preço se sustentar
O preço só funciona junto com as regras. Defina por escrito:
- Quantidade por mês em cada serviço incluído.
- Intervalo mínimo entre cortes no ilimitado, por exemplo sete dias.
- Horário: se o assinante precisa agendar no sábado ou entra na fila normal.
- Titular: o plano vale para uma pessoa e não pode ser emprestado.
- Acúmulo: serviço não usado no mês não passa para o seguinte.
- Extras: o que fica fora do plano e é pago à parte.
Cada regra que você afrouxa aumenta a frequência. Se afrouxar, refaça a conta do passo 3.
Revise depois de 60 dias
O preço de lançamento é uma hipótese. Depois de dois meses, olhe quatro números:
- Média de cortes por assinante em cada plano.
- Quantos assinantes passaram do limite em que rendem menos que um avulso.
- Quantas cobranças falharam e quantas foram recuperadas.
- Quantos cancelaram e em que mês.
Se a frequência real ficou acima da prevista, suba o preço para novos assinantes e mantenha o valor de quem já assinou até a renovação combinada. Aumento surpresa é o caminho mais curto para o cancelamento.
No Fexxo, você cadastra o plano com os serviços incluídos e a quantidade de cada um por ciclo, ou deixa ilimitado. O cliente assina por uma página pública, com cobrança recorrente no cartão. O painel mostra receita mensal recorrente, assinantes ativos, em atraso e pagamentos falhos.
Resumo do método
- Custo variável do corte: comissão mais material.
- Frequência esperada do assinante, sempre maior que a do avulso.
- Piso: frequência vezes custo, mais taxa de cobrança.
- Comparação: o plano precisa render mais do que o cliente rendia como avulso.
- Limites de uso calculados e acompanhados.
- Revisão em 60 dias com os números reais.
Com a conta feita, o passo seguinte é desenhar as regras e o lançamento. O guia de barbearia por assinatura cobre os modelos de plano, os erros mais comuns e como oferecer aos primeiros clientes.
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