Plano mensal de barbearia: quanto cobrar, com a conta passo a passo
Finanças

Plano mensal de barbearia: quanto cobrar, com a conta passo a passo

Equipe Fexxo28 de setembro de 20268 min de leitura

Preço de plano mensal definido no chute costuma dar errado de dois jeitos. Ou fica barato e lota a cadeira com cliente que paga pouco, ou fica caro e ninguém assina. Este guia mostra um método de conta, em seis passos, para chegar ao preço a partir dos seus números. Todos os valores abaixo são exemplos hipotéticos. Troque pelos da sua barbearia.

Passo 1: descubra quanto custa um corte

O custo que interessa aqui é o variável, aquele que só existe quando o corte acontece. Aluguel e luz você paga com a cadeira vazia ou cheia, então ficam fora desta primeira conta.

Exemplo: suponha um corte avulso a R$ 50, com comissão de 40% para o barbeiro.

  • Comissão: R$ 20
  • Material, como lâmina, gola, produto e toalha: R$ 3
  • Custo variável por corte: R$ 23

Cada corte avulso deixa R$ 27 para pagar as contas fixas e gerar lucro. Esse valor é a margem de contribuição do corte. Guarde os dois números, R$ 23 e R$ 27, porque todo o resto sai deles.

Passo 2: estime a frequência do assinante

Quem assina corta mais do que cortava como avulso. Já pagou, então vem. Se você calcular o plano pela frequência antiga, vai errar para baixo.

Levante a frequência atual dos seus clientes frequentes no histórico de vendas. Depois aplique um acréscimo. Exemplo de hipótese de trabalho:

  • Cliente frequente como avulso: 1,5 corte por mês
  • Mesmo cliente no plano de dois cortes: 1,8 corte por mês
  • Mesmo cliente no plano ilimitado: 2,6 cortes por mês

Esses números são suposições para o exemplo. Os seus só aparecem depois de dois meses de plano rodando, e por isso o passo 6 existe.

Passo 3: calcule o piso do preço

O piso é o valor abaixo do qual o plano dá prejuízo em cada assinante. A conta é a frequência esperada vezes o custo variável, mais a taxa de cobrança.

Exemplo para o plano ilimitado, supondo taxa de 3% sobre a mensalidade:

  • Custo de atendimento: 2,6 cortes x R$ 23 = R$ 59,80
  • Para sobrar R$ 59,80 depois da taxa, a mensalidade precisa ser de pelo menos R$ 61,65

Abaixo de R$ 61,65, cada assinante custa mais do que paga. Mas o piso não é o preço. É só o limite que você não pode cruzar.

Passo 4: compare com o que o cliente já deixava

O plano precisa render mais do que o mesmo cliente rendia como avulso. Caso contrário, você trocou receita por trabalho.

No exemplo, o cliente avulso deixava 1,5 x R$ 27 = R$ 40,50 de margem por mês. Teste um preço de R$ 110 para o ilimitado:

  • Mensalidade menos taxa de 3%: R$ 106,70
  • Custo de atendimento: R$ 59,80
  • Margem por assinante: R$ 46,90

R$ 46,90 é maior que R$ 40,50, então o preço passa. Agora calcule os dois limites de uso:

  • Até 2,9 cortes por mês, o assinante rende mais do que rendia como avulso.
  • Com 4,6 cortes por mês, a margem do assinante chega a zero.

Esses dois números viram regra de acompanhamento. Assinante acima de 2,9 cortes merece atenção. Média geral perto de 4 pede ajuste de preço ou de regra.

Passo 5: decida como a comissão entra na conta

A comissão é o maior custo do plano, e a forma de calcular muda o resultado. Existem três modelos.

  • Sobre o preço de tabela do serviço executado: o barbeiro recebe os mesmos R$ 20 por corte, com ou sem plano. É o modelo usado nas contas acima. O custo acompanha o uso, e a equipe não tem motivo para evitar assinante.
  • Rateio da mensalidade: uma parte do valor pago é dividida entre os barbeiros conforme os atendimentos. Seu custo fica travado, mas a comissão por corte cai quando o assinante usa muito, e o barbeiro percebe.
  • Valor fixo por atendimento de assinante: simples de explicar. Exige revisão sempre que o preço de tabela muda.

Escolha um e escreva a regra antes de vender o primeiro plano. O barbeiro precisa conseguir conferir a própria comissão sem perguntar para ninguém.

No Fexxo, a comissão é definida por serviço e por profissional, em percentual ou valor fixo, e fica gravada quando a venda é concluída. Um item lançado como cortesia pode manter a comissão calculada sobre o preço de tabela.

Passo 6: monte os níveis de plano

Dois ou três níveis bastam. Cada um precisa passar pelas contas dos passos 3 e 4. Exemplo com os mesmos números, mais uma barba avulsa a R$ 35 com custo variável de R$ 16:

  • Plano dois cortes a R$ 90: recebe R$ 87,30 depois da taxa. Com uso total, o custo é R$ 46 e a margem é R$ 41,30.
  • Plano ilimitado a R$ 110: margem de R$ 46,90 com 2,6 cortes por mês.
  • Plano dois cortes e duas barbas a R$ 150: recebe R$ 145,50. Com uso total, o custo é R$ 78 e a margem é R$ 67,50.

Repare que o plano com limite tem o pior cenário conhecido. Você sabe o custo máximo antes de vender. No ilimitado, o custo máximo depende das regras de uso.

A diferença de preço entre os níveis também conta. Se o ilimitado custa só R$ 20 a mais que o de dois cortes, quase todo mundo escolhe o ilimitado. Se for isso que você quer, ótimo. Se não for, aumente a distância.

O que limitar para o preço se sustentar

O preço só funciona junto com as regras. Defina por escrito:

  • Quantidade por mês em cada serviço incluído.
  • Intervalo mínimo entre cortes no ilimitado, por exemplo sete dias.
  • Horário: se o assinante precisa agendar no sábado ou entra na fila normal.
  • Titular: o plano vale para uma pessoa e não pode ser emprestado.
  • Acúmulo: serviço não usado no mês não passa para o seguinte.
  • Extras: o que fica fora do plano e é pago à parte.

Cada regra que você afrouxa aumenta a frequência. Se afrouxar, refaça a conta do passo 3.

Revise depois de 60 dias

O preço de lançamento é uma hipótese. Depois de dois meses, olhe quatro números:

  • Média de cortes por assinante em cada plano.
  • Quantos assinantes passaram do limite em que rendem menos que um avulso.
  • Quantas cobranças falharam e quantas foram recuperadas.
  • Quantos cancelaram e em que mês.

Se a frequência real ficou acima da prevista, suba o preço para novos assinantes e mantenha o valor de quem já assinou até a renovação combinada. Aumento surpresa é o caminho mais curto para o cancelamento.

No Fexxo, você cadastra o plano com os serviços incluídos e a quantidade de cada um por ciclo, ou deixa ilimitado. O cliente assina por uma página pública, com cobrança recorrente no cartão. O painel mostra receita mensal recorrente, assinantes ativos, em atraso e pagamentos falhos.

Resumo do método

  • Custo variável do corte: comissão mais material.
  • Frequência esperada do assinante, sempre maior que a do avulso.
  • Piso: frequência vezes custo, mais taxa de cobrança.
  • Comparação: o plano precisa render mais do que o cliente rendia como avulso.
  • Limites de uso calculados e acompanhados.
  • Revisão em 60 dias com os números reais.

Com a conta feita, o passo seguinte é desenhar as regras e o lançamento. O guia de barbearia por assinatura cobre os modelos de plano, os erros mais comuns e como oferecer aos primeiros clientes.

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